sábado, 10 de janeiro de 2009

Menina inglesa nasce sem gene defeituoso do cancro da mama

Noticia retirada da Edição Impressa do Público de hoje



Acho maravilhosa esta notícia e o meu médico disse-me que se poderia fazer o teste aos 16 anos.

Eu não teria filhos depois de um cancro, mas cada caso é um caso e esta é uma boa noticia para quem não quer transmitir esta terrível doença.

Por outro lado, eu gostava muito de saber como é que funciona esta treta do "Por outro lado, se no cancro da mama é possível recorrer a rastreio e prevenção..." parece que querem passar a ideia que quem "faz rastreio e prevenção" não lhe aparece cancro!
O cancro aparece quando lhe apetece e nós só temos que ter a sorte de o descobrir no inicio!

Infelizmente só mo detectaram um ano depois, porque acham que não temos idade para isso:(
Boa Dr. Espirito Santo!
jokas






10.01.2009, Andrea Cunha Freitas e Catarina Gomes
Um teste genético conseguiu reduzir o risco de desenvolver uma doença. A discussão ética sobre os limites desta aplicação já começou

A menina nasceu em Londres e nunca virá a ter o tipo de cancro da mama que há três gerações afecta mulheres da família do seu pai. É a primeira vez que em Inglaterra nasce uma criança rastreada para um tipo de mutação genética que está na origem de cancro quando era ainda um embrião.
"Esta rapariga não enfrentará a perspectiva de vir a sofrer desta forma genética de cancro da mama e dos ovários na sua vida adulta", disse Paul Serhal, médico que dirige a unidade de procriação medicamente assistida do hospital University College, em Londres. Caso tivesse nascido com a mutação genética BRCA1, este bebé teria 80 por cento de probabilidades de desenvolver uma forma de cancro da mama - responsável por cinco a dez por cento dos casos totais - quando fosse adulta e 60 por cento de hipóteses de vir a ter cancro dos ovários.
Mas o caso veio levantar questões éticas. O que neste caso está em causa não é uma certeza de desenvolver uma patologia, mas um risco de vir a sofrer a doença que, "com medidas de vigilância apertada se pode prevenir", nota Teresa Martins, bióloga do Laboratório de Patologia Molecular do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra.
"Devo ter filhos?" é uma pergunta que Gabriela Sousa, directora da consulta de risco familiar do IPO de Coimbra, ouve das doentes a quem foi detectada a mesma mutação. "A decisão é pessoal" e a médica limita-
-se a dar-lhes os dados como o facto de terem 50 por cento de possibilidade de transmitir o gene ao filho. Na consulta segue duas irmãs com a mutação. Uma delas tem 32 anos, já teve cancro da mama, decidiu não arriscar ter filhos e está a tentar adoptar. A outra ainda não sabe.
Gestão do risco
Fátima Vaz, responsável da consulta de risco familiar do cancro da mama no IPO de Lisboa, considera "compreensível" que se considere este caso "um sucesso em termos científicos estritos", mas pensa que têm que ser situações excepcionais. A médica percebe a decisão de famílias com vivências traumáticas de cancro, mas sublinha que a gestão de risco, que inclui o teste que detecta a mutação da mulher e a vigilância anual através de exames, não deve servir para evitar que bebés nasçam, mas "para que nasçam e vivam com mais segurança". Se derem positivo à mutação serão vigiados só quando forem adultos (os exames não costumam ser antes dos 25 anos). Na sua opinião, neste caso está em causa "selecção genética" - "seleccionou-se uma pessoa baseada num aspecto" - e pergunta como se pode saber se um embrião que não foi escolhido não seria "mais feliz, um cidadão melhor". Adianta que se abre "um precedente que, no limite, leva à eugenia".
A lei portuguesa permite o diagnóstico pré-implantação com o objectivo de "identificar embriões não portadores de anomalia grave, antes da sua transferência para o útero da mulher". Para Alberto Barros, director do Serviço de Genética da Faculdade de Medicina do Porto, uma mutação genética com 80 por cento de hipótese de resultar em cancro entra na categoria de "anomalia grave". Como sempre que se abre uma porta deste tipo, "é simultaneamente estimulante e perverso, porque pode criar efeitos contrários e excesso de uso". Mas "o espírito do diagnóstico pré-implantação é fazer com que haja menos doenças graves na geração seguinte".
"Onde vamos parar?" - questiona Jorge Pinto Bastos, especialista em Genética Preditiva no Instituto de Biologia Molecular e Celular da Universidade do Porto, adiantando que não tem conhecimento de nenhum caso deste género. "Até agora, estávamos a falar de doenças genéticas ou anomalias nos cromossomas em que o risco de desenvolver uma doença era de 100 por cento. Deixámos este absoluto, este preto e branco, e entrámos agora no território do cinzento." A verdade é que, aberto este precedente, quase tudo é possível. Ou seja, conhecendo a mutação em causa, será possível recorrer a um DGPI para qualquer doença em que se verifique uma predisposição genética? "Teoricamente, sim. Abriu-se uma porta e o mais natural é o leque de doenças a rastrear alargar", diz o especialista, concluindo que "é forçoso promover um grande debate e perceber quais são os limites". Manuel Teixeira, do Serviço de Genética do IPO do Porto, nota ainda: "A definição do risco é subjectiva. Ter cinco por cento de probabilidades de desenvolver uma doença grave pode ser considerado um grande risco". O especialista alerta ainda para os contornos especiais deste caso: trata-se de uma uma doença que só se desenvolve na vida adulta. Por outro lado, se no cancro da mama é possível recorrer a rastreio e prevenção, no caso do cancro do ovário (que também está associado a este gene) não existe nenhuma forma de o rastrear.
É uma arma que pais passam a ter ao dispor para evitar que criança venha a nascer com uma mutação, constata Jorge Espírito Santo, presidente do colégio da especialidade de Oncologia da Ordem dos Médicos, que não vê aqui qualquer problema ético. O que esta técnica não pode nem deve é ser generalizada, avisa. Finalmente, Vasco Almeida, docente de Genética na Universidade do Porto, resume: "É um avanço eticamente discutível e excelente em termos científicos". com Alexandra Campos
O especialista Alberto Barros comenta o avanço científico: "É simultaneamente estimulante e perverso" .


2 comentários:

  1. considero este avanço na ciencia, muito inteligente.
    Não tive filhos, tenho 38 anos, não sei se os posso ter, tive cancro da mama.
    Dizer que gostava de os ter, digo...é um sonho que pode ficar por realizar...
    A minha mãe, não teve cancro da mama, mas se tivessem perguntado a minha mãe se me queria ter tido, se sobesse que um dia, passados 38 anos, eu ia ter cancro...dificil de dicidir acho eu...
    Mesmo tendo atravessado um cancro da mama, adoro viver..
    São complicadas estas questões..
    È como dizes Sandra...a prevenção começa aos 40, e quem lhe aparece aos 35, como foi o meu caso...que prevenção faz?Por acaso ate fazia, porque tive uma tia, que faleceu de cancro, que ate hoje nem sei que tipo de cancro era o dela...
    só fazia ecomamaria, pq diziam que não estava na idade de fazer mamografia...conclusão...qd fiz mamografia...tinha um cancro de 3 centimetros...
    è uma questão de sorte por vezes...
    beijinhos

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  2. Uma grande descoberta!
    Esperamos que que salve muitas mulheres...
    beijinhos

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