sábado, 29 de março de 2008

Grupo Parlamentar do Partido Socialista recusou suspender avaliação

No debate parlamentar, o Governo foi igual a si mesmo no desrespeito que nutre, sem disfarçar, pelos professores. Na Assembleia da República, durante o debate sobre os cinco projectos de Resolução que visavam suspender, este ano, a avaliação do desempenho, o Governo primou pela ausência. Nenhum membro da equipa ministerial esteve presente e até o ministro dos assuntos parlamentares se ausentou da sala nos dois períodos em que este debate se realizou.

Assim, nenhum dos dez minutos atribuídos ao Governo foi utilizado, tendo este optado por não perder tempo com explicações ou a prestar esclarecimentos quanto à forma como pretende, ainda este ano, implementar o processo de avaliação de desempenho nas escolas, apesar de estas não reunirem condições nesse sentido.

Esta indiferença do Governo perante assuntos que dizem respeito aos professores não é nova e, só por essa razão, não surpreendeu.

Também a bancada do PS esteve igual a si mesma, ou seja, refém do ME, com duas deputadas a defenderem o indefensável e a deixarem sem resposta todas as dúvidas suscitadas pelas diversas bancadas da oposição. O grupo parlamentar do PS limitou-se a repetir os argumentos estafados do ME, sobre a alegada necessidade de avançar, imediatamente, com o processo de avaliação, para, no final, recusar todos os projectos de resolução que foram apresentados.

No grupo parlamentar do PS há dezenas de professores que sabem que avançar agora com a avaliação é um tremendo erro e que só a teimosia do ME e do Governo impede a suspensão. As escolas verão introduzido um novo e grave foco de instabilidade e o 3º período lectivo ficará definitivamente estragado com prejuízo para a aprendizagem dos alunos.

Compete, agora, às escolas assumirem a sua autonomia e decidirem que não avançarão com o processo. A FENPROF apoiará essa decisão e apela aos professores para recusarem avançar com procedimentos que, nas actuais condições, seriam ilegais, acarretariam graves perturbações para dentro das escolas neste final de ano lectivo e poderiam provocar graves prejuízos profissionais aos docentes. A FENPROF exorta as escolas a assumirem, de facto, a sua autonomia, devendo esta servir para que tomem decisões e não apenas para cumprirem ordens.

Teimosia

A FENPROF acusa o ME e a maioria parlamentar que apoia o Governo de, com esta decisão, contribuírem para a descredibilização da avaliação do desempenho dos professores, para o que contribui, não apenas o modelo que impôs, mas, também, a teimosia em avançar, já este ano, de uma forma completamente desqualificada.

Esperar-se-ia que a consciência profissional dos professores que são deputados, a sua responsabilidade perante as escolas, as preocupações que deveriam continuar a ter em relação às crianças e jovens que as frequentam, os tivesse levado a suspender, por este ano lectivo, a avaliação. Mas não! Os deputados do CDS/PP, do PSD, do PEV, do PCP e do BE, bem como a deputada Luísa Mesquita, votaram essa suspensão, mas os do PS, incluindo os 45 que são ou foram professores, impediram essa suspensão, não tendo, um que fosse, votado favoravelmente qualquer dos projectos de resolução apresentados.

Por fim, a FENPROF torna público que irá divulgar, junto dos professores, os endereços electrónicos oficiais dos deputados que, sendo ou tendo sido docentes recusaram votar favoravelmente qualquer um dos cinco projectos de resolução que visavam suspender a avaliação. Pretende-se, desta forma, que os professores lhes façam chegar o que pensam da posição que tomaram, colocando os seus interesses partidários acima dos interesses das escolas, dos professores e dos alunos.

O Secretariado Nacional da FENPROF
28/03/2008

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