quinta-feira, 27 de março de 2008

Para uma avaliação séria e científica dos professores

Já fiz o meu teste e tenho maioria C), estou feita!

Acho que falta ainda um ponto 6, caso a familia do aluno(a) lhe bata.....



Lisboa, 12 de Março de 2008

Cara Maria de Lurdes

Escrevo-te na convicção de que ainda me consegues ouvir, apesar do barulho que te rodeia. E é bom que o faças porque eu tenho a solução do problema. Isto é, uma avaliação novinha em folha para os professores à qual eles não vão resistir. De modo que tu salvas a face, os sindicatos salvam a face e nós continuamos nesta jornada gloriosa onde cada vez se sabe menos, mas isso agora não vem ao caso.

O meu produto avaliativo é imbatível no mercado. Trata-se, tão-só e apenas, de um inquérito de cinco perguntas. A mim não me interessa se o professor trabalha muito ou pouco, se vai ou não às aulas e se sabe ou não a matéria (isso, ao fim e ao cabo, do ponto de vista do teu Ministério, também não interessa saber em relação aos alunos). O que conta, nesta avaliação que de seguida te mostro, é o mais importante: quais as aprendizagens da vida e as intenções futuras dos professores?

Eis o teste:

1) Caso um aluno nunca se cale na aula, o que faz? a) Suicida-se; b) Deixa-o falar; c) Mata-o.

2) Caso um aluno bata nos outros durante a sua aula, como procede? a) Tenta impedi-lo; b) Deixa-o bater; c) Põe-no na rua.

3) Caso um aluno lhe bata em plena aula, como reage? a) Defende-se; b) Deixa-o bater; c) Bate-lhe também.

4) Caso um aluno o(a) insulte em plena aula, chamando vários nomes à senhora sua mãe, como actua? a) Pede-lhe que não o(a) insulte; b) Deixa-o insultar à vontade; c) Manda-o calar

5) Caso um grupo de alunos o(a) ate a uma cadeira e o(a) espanque até ao desmaio, que faz? a) Telefona aos pais dos alunos a queixar-se; b) Diz que é a vida; c) Faz queixa à Polícia.

Das respostas a todas estas perguntas resulta que se os professores optarem pela solução a) têm uma avaliação média; se optarem pela b) são magníficos; se optarem pela c) têm de ser banidos do sistema. Vejamos porquê, caso por caso:

Na primeira pergunta, o professor que se suicida suja a aula sem nenhuma necessidade, além de eventualmente traumatizar os alunos. Aquele que o deixa falar, garante aquilo que é constitucionalmente imposto, a liberdade de expressão. O que o mata tem, naturalmente, prisão maior.
Na segunda pergunta, o professor que impede o aluno de bater noutros, reprime-o; já o que o deixa bater à vontade permite-lhe a expansão da agressividade jovem. Mas, o que o põe na rua priva-o de estar na aula e de trabalhar nas aprendizagens.

Na terceira, o professor que se defende do aluno agressor, está a violar um impulso do aluno; o que o deixa bater à vontade demonstra compreensão; o que lhe bate também é um agressor.

Na quarta pergunta, o professor que pede para não ser insultado mostra fraqueza. O que deixa insultar mostra superioridade moral. O que insulta é mal-criado.

Na quinta, o que se queixa aos pais é queixinhas e demonstra não ter mão na aula; o que diz que é a vida mostra uma sabedoria zen de elevada profundidade; o que faz queixa à Polícia é uma pessoa que quer contribuir para a criminalização dos jovens.

Como vês, com cinco perguntas apenas, traças facilmente o perfil de cada professor. E com testes assim tão curtos e simples ninguém protestará. Para o ano pode ser o mesmo, porque os testes de surpresa revelam falta de confiança nas aprendizagens dos mestres (ou uma coisa assim também confusa).

Leva o meu abraço e mantém-te firme, se te deixarem

Comendador Marques de Correia

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